A pretexto do Natal de luzes falsas, mais de venda que de louvor, sem que se apresente em tempo o ouro dos paus d’arco nem o fervor amoroso dos abraços (comentávamos isso), José Octávio de Arruda Melo telefona para acrescentar o luto dos visionários com a morte de Balduíno Lélis.
Acontecia na Praça da Bandeira, e maior que fosse a multidão, eu não me apartava de João Loureiro, Babá de doutor Cruz, Otávio Isidro e Balduíno, escudeiros de qualquer molenga como eu. No campinho do Pio XI Badu só perdia para Cabralzinho, um galego de Alagoinha que, ao surgir Garrincha, eu só me lembrava dele. Era só a quem Balduino respeitava. Gleryston Lucena sabe disso tudo.
Vem a vida, essa variação sem fim, inconsequente, e fui me enturmando em outros pagos e a novos valores, até que lá vem Balduíno, reaparecendo pelas Trincheiras, de parceria com Linduarte ladeando a conversa com o velho Leon Clerot.
Entro no hall da sede central do Cabo Branco e surpreendo Balduino Leles a explicar a teoria do xeroifilismo a Mário Moacyr Porto, Antonio Dias dos Santos, Haroldo Borges, Boto de Menezes, sem qualquer reparo de Celso Mariz, que fazia parte da roda.
Foi levado a sério, muito a sério, por João Agripino, que deve ter ouvido dele, Balduíno, a defesa natural da orla, hoje um bem público e histórico que, no conjunto do país, faz a diferença.
A Pedra de Ingá, cujos estudos de cientistas e instituições não fazem uma menção, a mais simples, ao esforço do seu grande propagandista e batalhador. Sabia das coisas, desde as de museu às da natureza. Chamado por Dorgival a dirigir o Arruda Câmara, lembrou-se que macaco não sabia nadar. E tirou-os da jaula para a liberdade das árvores, cercando-as de água por todos os lados. Eram as ilhas da liberdade.