Tem Paraíba no meio, entre Zerbini, Enrique Cabrera, Ignácio Chavez, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz, Ana Nery, Miguel Couto, William Harvey, tantos, tantos.
Tem um Londres, ascendente dos Medeiros, doutor Genival Londres...
- E esta, de tanta luz, tanto amor e coragem realçados no ardor solidário do coração político de Flávio? Quem é ela?
- É Nise da Silveira, a psiquiatra que revolucionou o tratamento, presa por Filinto Müller, companheira de pavilhão de Graciliano Ramos! A heroína no livro “Memórias do Cárcere”, do escritor alagoano, entre os que compõem a galeria imortal confiada aos nossos pincéis.
Não é sem razão que o atelier escolhido por Flávio se esconda num fim de rua desabitada da barreira do Cabo Branco. A solidão é necessária.
Mais de 50 anos de pincel, a contar do painel de louvor aos anjos e santos da saúde cravado num dos frontais da antiga Clínica São Camilo. Ali começava a cidade a se converter na pinacoteca aberta aos olhos do povo como vemos hoje. A arte circunscrita às salas de elite, excetuada a das igrejas numa cidade desprovida até hoje de galeria ou pinacoteca permanente, passou a ganhar as ruas e os salões de acesso popular pelo veio mais presente e profuso. É raro hoje o salão público sem o toque das artes plásticas, liderado por Flávio.
Por longe que fiquemos, seu nome nos levou aos olhos do Brasil, agora a chamado da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Gonzaga Rodrigues é escritor e membro da APL