Na política é que se exacerba o extremismo, o confronto, a dissidência, e, nesse campo, são quase inexistentes as possibilidades dialéticas.

Na filosofia, embora o ego se dissolva tenazmente, pela própria subjetividade do raciocínio mais distante do pragmatismo científico, há divergências notáveis, ainda que devidamente acomodadas na cronologia em busca da razão.
Entre as correntes religiosas, a distensão é dramática. Atingidas pelo fulcro dogmático, pelas crenças ou culto à fé isolada da lógica racional, a violência se lhes interpõe com consequências drásticas e irreparavelmente danosas. É onde o fanatismo emerge com total preponderância sobre a essência do que possa existir no mais ínfimo sentimento de religiosidade.
Entre as doutrinas originadas para conexão do homem à divindade, o Espiritismo se destaca com substanciais diferenças na concepção filosófica. A primeira evidencia-se no principal slogan: “Fora da caridade não há salvação”, entendendo-se tal virtude como altruísmo, solidariedade, compreensão e amor. E não sob caráter material ou filantropo.

A mensagem que sintetiza a dinâmica evolutiva do espírito está inscrita como epitáfio do túmulo mais florido e visitado da capital francesa, no Père Lachaise: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a Lei.”
Mas é na política dos homens que reside a mais lamentável forma de polarização, uma vez que se origina nos interesses pessoais, imediatistas, egoístas. Justamente a atividade que deveria reunir todo o idealismo, seja filosófico, religioso, científico em prol do bem comum, é a que mais tem afastado seres humanos do entendimento, da fraternidade, da felicidade coletiva.
Há poucos dias, li uma mensagem atribuída ao filósofo Bertrand Russell que vem se divulgando nas redes, com caráter político, entre os que agridem as religiões: “Até onde me lembre, não há uma palavra nos Evangelhos em louvor da inteligência”.

Com que inteligência o Mestre da Paz e da Libertação encarava a religiosidade! Ciente de que é no senso de união social, na luz que emana dos evangelhos, que residem os atributos da inteligência em prol do amor: a mais elevada forma de evoluir.
Germano Romero é arquiteto e bacharel em música