Quando tornei-me escritor profissional tomei um susto ao deparar-me com a palavra Paideuma! Devo explicar que para mim escritor profissional não é necessariamente quem ganha dinheiro com literatura (isso quase ninguém ganha no Brasil), mas quem vive em função do mundo e da vida literária.

Foi que numa roda de amigos escritores, depois que deixei de ser “amador”, tomei um susto quando alguém perguntou:
- Linaldo, qual é o teu Paideuma?
Que diacho era aquilo? - indaguei-me.
Nem meus professores de Literatura tinham me falado dessa palavra esquisita.
Aí resolvi tirar onda e fiz um poemeto que graças aos deuses literários perdi. No poema, ironizava a palavra “Paideuma”, dizendo algo como:
“Pai deu uma
Pai deu duas vezes
uma surra em mim...”
Pai deu duas vezes
uma surra em mim...”
Sim, eu sei que o poemeto é infame e ridículo, mas retratava uma realidade.
Apanhei muito de papai para não ter medo de reconhecê-lo como meu “Paideuma”, se tiver que escolher um.
Com ele aprendi tudo. Com Drummond, Pessoa, Augusto, Cabral aprendi outras coisas.

Azul, imponente, iluminada!
Ela chega na hora em que me deito e fica ali aconchegada, num silêncio que barulheia todos os sentidos. Bem igual ao Luar do Sertão, de Catulo.
E nessas horas penso na força das palavras. Que a história foi construída primeiro com palavras, depois veio o registro escrito, daquilo falado ou pregado aos quatro ventos pelos líderes religiosos ou políticos.
Falar neles, os políticos, a palavra de muitos é um risco n'água, já dizia meu pai.
E nesses tempos de campanha, então… Preparemo-nos!
Está chegando o guia eleitoral e com ele os arautos dos novos tempos, que na verdade são os mesmos de sempre: muito discurso, muita promessa e só.
Afora os candidatos que não chamo de folclóricos, porque nosso folclore é tão lindo e não merece tal comparação.
Chamo de bizarros, mesmo!
Linaldo Guedes é mestre em ciências da religião, jornalista e poeta