Os fenômenos psíquicos (do grego psyché: alma, espírito), estudados pelo Espiritismo, pela Metapsíquica e pela Parapsicologia têm como agente o Espírito, ser humano sensível e inteligente.
Para a Doutrina Espírita, tais fenômenos, considerados naturais, são de duas categorias: os mediúnicos e os anímicos (emancipação da alma). Os primeiros são intermediados pelos médiuns: “médium é toda pessoa que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos. Essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui um privilégio exclusivo.

[…] "Mediunidade é a faculdade psíquica que os médiuns possuem, manifestada de forma mais ou menos intensa, e por meio de uma variedade significativa de tipos (videntes, psicógrafos, audientes, musicistas, de cura, etc.). A prática mediúnica é denominada mediunismo."
Na segunda categoria, ainda segundo o Espiritismo, temos os fenômenos anímicos (do grego, anima = alma) ou, mais propriamente, de emancipação da alma. São produzidos pelo próprio Espírito encarnado que, nesta situação, não age como intermediário ou intérprete do pensamento dos Espíritos. Partindo-se do princípio que todo ser humano é médium, o Espírito André Luiz assim conceitua animismo — ou prática dos fenômenos anímicos: “[...] conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.” E mais:
“Temos aqui muitas ocorrências que podem repontar nos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais, com a própria inteligência encarnada comandando manifestações ou delas participando com diligência, numa demonstração que o corpo espiritual [perispírito] pode efetivamente desdobrar-se e atuar com os seus recursos e implementos característicos, como consciência pensante e organizadora, fora do carro físico”.

Classificou os fenômenos metapsíquicos, com base no estudo da mediunidade, em Metapsíquica Subjetiva e Metapsíquica Objetiva, tendo como referência, respectivamente, a mediunidade de efeitos físicos e a de efeitos inteligentes, da proposta espírita de Allan Kardec.
A Metapsíquica Subjetiva abrange os fenômenos telecinéticos, palavra derivada de telecinesia (do grego, tele e kinese = mover à distância), significa “capacidade de mover fisicamente um objeto com a força psíquica (da mente), fazendo-o levitar, mover-se ou apenas ser abalado pela mente.”

Atualmente, a telecinesia é estudada de acordo com a metodologia científica, de forma que parapsicólogos e cientistas já obtiveram alguns bons resultados, como os estudos realizados na ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) com a dona de casa russa Nina Kulagina que:
“durante muitas décadas foi estudada e testada por vários parapsicólogos e cientistas em geral, os quais concluíram que ela realmente possuía telecinese, além de outros poderes paranormais — como clarividência. Nos estudos, registraram que quando Nina realizava telecinese, ela passava por mudanças físicas extremamente aceleradas e alteradas nos batimentos cardíacos (chegava a 240 por minuto), ondas cerebrais e campo eletromagnético. Em 1990, enquanto ela realizava uma suposta demonstração telecinética, acabou morrendo por ataque cardíaco."
A Metapsíquica Objetiva refere-se a uma classe de fenômenos denomina-dos criptestesia, termo criado por Richet, para especificar o conhecimento que algumas pessoas obtêm de acontecimentos ou fatos, presentes e futuros, por intermédio da percepção paranormal, isto é, sem ação dos órgãos dos sentidos. Nessas condições, a pessoa estaria sob efeito de estímulos psíquicos e anímicos, ainda não sufi cientemente explicados pela Ciência. Assim é nomeada pela Parapsicologia como Percepção Extrassensorial, ou PES, expressão cunhada por Joseph Banks Rhine, professor da Universidade de Duke, estado de Virgínia, nos Estados Unidos da América, e fundador da Parapsicologia.
No século XX surge a Parapsicologia, também conhecida como Pesquisa Psi. A Parapsicologia (do grego para = além de + psique = alma, espírito, mente, essência + logos = estudo, ciência), signifi ca, literalmente, o estudo do que está além da psique, viabilizado por indivíduos popularmente conhecidos como “sensitivos” ou “psíquicos”:
“A experimentação científica de tais fenômenos paranormais teve início nos Estados Unidos, em 1927, quando o prof. J. B. Rhine fundou o Instituto de Parapsicologia da Universidade de Duke, hoje Instituto Parapsicológico de Durham. A Parapsicologia é o campo da psicologia que investiga todos os fenômenos psicológicos que, aparentemente,não podem ser explicados em termos de leis ou princípios científicos naturais. A parapsicologia inclui o estudo e investigação da clarividência, telepatia, transes, telecinese, mediunismo, poltergeist,etc. A finalidade dos parapsicólogos é colocar esses fenômenos no âmbito das leis naturais, ampliando — se necessário — as fronteiras destas últimas.”

Fenômenos psicocinéticos, PK (psychokinesis) ou TK (telekinesis), assim caracterizados por ações diretas do sensitivo no meio ambiente. Se estas ações produzem grandes efeitos, percebidos pelos circunstantes, diz-se macro-PK. As ações menores, de pouco impacto ambiental, recebem o nome de micro-PK.
São fenômenos psicocinéticos (PK):
a) telepatia — transmissão mental de pensamentos e emoções;
b) clarividência —visualização mental de coisas, acontecimentos, cenas e pessoas do mundo físico, através de um corpo opaco ou à distância (seria a dupla vista da classificação espírita);
c) clariaudiência — percepção de sons, ruídos, frases, músicas, vozes, etc., provenientes do plano físico e do extrafísico, não percebidos pelas demais pessoas;
d) precognição — previsão de acontecimentos futuros;
e) retrocognição — relatos de acontecimentos ocorridos no passado, desconhecidos do sensitivo;
f ) psicocinesia — ação mental sobre objetos materiais, localizados no plano físico, movimentando-os ou produzindo os efeitos, inclusive alteração de forma."
b) clarividência —visualização mental de coisas, acontecimentos, cenas e pessoas do mundo físico, através de um corpo opaco ou à distância (seria a dupla vista da classificação espírita);
c) clariaudiência — percepção de sons, ruídos, frases, músicas, vozes, etc., provenientes do plano físico e do extrafísico, não percebidos pelas demais pessoas;
d) precognição — previsão de acontecimentos futuros;
e) retrocognição — relatos de acontecimentos ocorridos no passado, desconhecidos do sensitivo;
f ) psicocinesia — ação mental sobre objetos materiais, localizados no plano físico, movimentando-os ou produzindo os efeitos, inclusive alteração de forma."
Os Fenômenos extrassensoriais (PES: percepção extrassensorial) que se encontram divididos em três tipos: Psi-Gama (telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglosia, etc.), Psi-Kapa (levitação e/ou transporte de objetos e pessoas) e Psi-teta, são os fenômenos mediúnicos, propriamente ditos.

Os segundos, originalmente designados por Allan Kardec, indicam a faculdade inerente às pessoas de se comunicarem com seres extracorpóreos. Para o Espiritismo, os fenômenos mediúnicos podem apresentar duas formas de manifestação: efeitos físicos, que revelam ações de impacto no meio ambiente, e efeitos intelectuais, cuja manifestação exige certo grau de elaboração mental e de interpretação intelectual. Contudo, importa assinalar, a prática espírita, manifestada na forma do mediunismo e do animismo, fundamenta-se, necessariamente, nos parâmetros de moralidade, expressos no Evangelho de Jesus.
Maria Antunes de Moura é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira