O slogan da pandemia de Corona Vírus em 2020 no mundo inteiro é Stay at home, traduzindo para o nosso português temos o Fique em Casa, que na cobertura da televisão aparece estampado em diversas línguas: restez à la Maison (francês), stai a casa (italiano), quedarse en casa (espanhol), zu Hause bleiben (alemão).
Do ponto de vista da pandemia, autoridades governamentais e parte da população dos países atingidos têm dado mostra que entenderam o que isso significa: apenas serviços essenciais em funcionamento, escolas fechadas e home office para profissões e atividades que assim podem ser realizadas.

Saindo da lista acima mencionada, resta uma pergunta para quem não está nela incurso: o que estamos fazendo com o tempo em que estamos em casa? Informações que circulam pelas redes sociais e pela mídia falam em pessoas ociosas e mais ansiosas. Há sugestões para que se faça aquela arrumação que ficava sempre aguardando um tempo livre que não existia: organização de armários, álbum de fotos, jardinagem, etc.

Voltando ao tema o isolamento social, parece-nos muito curioso que do ponto de vista simbólico a pandemia tenha nos chamado para dentro de nossa casa. Se compararmos com a 2ª guerra mundial ou as diásporas
Reclusão não é sinônimo de tristeza ou de inação. Para a sociologia, pode ser entendida como período de ócio criativorecentes de vários povos, concluiremos que somos “bem-aventurados”: não há bombas explodindo, não precisamos sair às pressas a pé ou enfrentando estradas lotadas para destinos incertos. Parece-nos também curioso e simbólico que a pandemia tenha nos alertado para o autocuidado com higiene e limpeza dos ambientes assim como para o cuidado com o próximo, seja este um familiar ou um anônimo que está na mesma fila, transita na mesma rua, divide o mesmo espaço na gôndola de um supermercado ou farmácia.
Casa e cuidado são dois lados da mesma moeda no que diz respeito à harmonia que é condição íntima que não se improvisa.
Pensando nisto, perguntamo-nos sobre em que harmonia estamos vivendo esses dias. Notícias descrevem uma vida intensa nas redes sociais que vão desde aquelas que (re)criam os significados sobre estar longe e ficar perto, comprar e consumir, olhar e ver, estar dentro e ficar fora. Algumas mais raras questionam se ficando em casa devemos ou podemos manter a mesma rotina que tínhamos antes da quarentena ou que rotina podemos ter na quarentena.
Fato é que se ficarmos em casa nesse período, mas não nos ocuparmos conosco, essa quarentena poderá ser comparada mesmo a isolamento, mas não a reclusão, pois, isolados podemos olhar para fora sofrendo por não estarmos lá, mas reclusos optamos por não estar lá por que preferimos ficar cá, conosco, focados no auto encontro.

Por isso, nesses dias de isolamento social e congestionamento nas redes sociais, fiquemos em casa conosco mesmo, fiquemos com os nossos, recebemos Jesus no lar. Aproveitemos para aquela faxina interior sugerida por Joanna de Angelis/Divaldo Franco no texto Reciclagem do Subconsciente, livro Auto descobrimento. No mais, Stay at home, stay with yourself; rester à la maison, rester avec soi; stai a casa, stai con te stesso; quédate en casa, quédate contigo mismo, Bleib zu Hause, bleib bei dir.
Denise Lino é pós-doutora em educação e professora