Como era mesmo o título: “Recados da Província”? As letras meio góticas, desenhadas certamente por Elcir Dias, encimavam a crônica que mais me fazia inveja na imprensa local.

Quem o havia influenciado? Nesses anos, a leitura de todos, facilitada pela venda em massa da coleção completa, era a crônica de Humberto de Campos.
Mas Humberto de Campos sempre terminava triste, fazia mais chorar do que entreter ou alegrar os espíritos. Sem dúvida, Braga, Rubem Braga, com seu apego à singeleza, à poesia do cotidiano; mas, como já disseram, o franciscanismo do nosso cronista maior é pagão. E sempre termina travoso, como Machado.

Passa ele, vai passando em anos, como ocorre em seu aniversário de hoje, mas o olhar não passa. Nem os sóis, nem as luas, nem as criaturas vegetais ou humanas que a crônica vem fixando nesse meio século de celebração.
O Estado está investindo com disposição na promoção das nossas potencialidades turísticas. Está apelando para os veículos de grande impacto como a TV. Mas no dia em que pretender iluminar o visitante pelo foco íntimo da leitura, pelo livro de cabeceira, reúna esse painel de Azorin, esses primores do vulgar dispersos em dezenas de crônicas da nossa melhor propaganda.

Gonzaga Rodrigues é escritor e membro da APL