Na década de 60, João Pessoa possuía dois meios de transporte coletivo: o bonde e a marinete. Os principais bairros da cidade eram servidos por linhas regulares desses veículos de locomoção. O ponto central de partida e de chegada era a Praça Vidal de Negreiros, o Ponto de Cem Réis, hoje viaduto Damásio Franca, com cenário urbanístico totalmente diferente do que era na época.

Nas paradas, enquanto esperávamos, descobrimos uma forma de saber quando o bonde estava se aproximando.Eu e minha mãe éramos usuários do bonde para irmos para o trabalho (isso até início dos anos setenta). Ela dirigindo-se ao prédio dos Correios, hoje Paço Municipal, onde exercia suas atividades de emprego. E eu em direção à matriz do Banco do Estado da Paraíba – BEP, depois PARAIBAN, instituição na qual comecei minha vida profissional.
Lembro-me que em dias de chuva havia sempre o risco de levarmos alguns leves choques. Nas paradas, enquanto esperávamos, descobrimos uma forma de saber quando o bonde estava se aproximando. Encostávamos o ouvido no poste e ouvíamos o barulho dele se aproximando. Nosso ponto de espera era na Avenida João da Mata, em frente a antiga Maternidade Frei Martinho, que deixou de existir. Achava interessante ver as pessoas saltarem do bonde ainda em movimento. Resolvi fazer a experiência e foi um desastre, me esborrachei no chão e machuquei os dois joelhos.

Rui Leitão é jornalista e escritor