Para que servem as pontes?
Consultando o significado de ponte no dicionário Houaiss, encontramos no seu sentido figurado, “qualquer elemento que estabelece ligação entre pessoas ou coisas”. Trazemos o enfoque da nossa análise a questão do preconceito religioso na atualidade, sob o olhar espírita.

Comumente, são necessárias ações de extremo desrespeito, com a singularidade, trazendo uma comoção social para só depois, assegurar direitos legítimos às pessoas e que importam para a vida numa sociedade plural e democrática.

Diante de fatos lamentáveis, a bandeira do diálogo interreligioso representa o mais eficaz antídoto aos males decorrentes da intolerância, do fanatismo religioso, e traduz a mais lúcida estratégia para a construção de pontes em favor da pacificação.
A Doutrina Espírita, nas suas bases filosóficas, corrobora na perspectiva do respeito à diversidade religiosa, por estar em plena sintonia com as Leis Divinas, estudadas em profundidade em O livro dos Espíritos, por Allan Kardec, no diálogo interexistencial estabelecido com os Benfeitores Espirituais. Abrindo suas páginas cintilantes, extraímos algumas pérolas que sedimentam o nosso entendimento:
654. Tem Deus preferência pelos que O adoram desta ou daquela maneira?
“Deus prefere os que O adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-Lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes”.
“Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a Si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam [...]”
[...] “Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais convenha, porque equivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até Ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do coração.”
“Deus prefere os que O adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-Lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes”.
“Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a Si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam [...]”
[...] “Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais convenha, porque equivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até Ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do coração.”
Na questão 621 "Onde está escrita a Lei de Deus?"
“Na consciência”.
Na questão 625, "Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?"
“Jesus”.
Temos, portanto, essas importantes bases de entendimento; a sinceridade, como condição sine qua non para efetividade do ato adorativo; a consciência, como altar sagrado, onde Deus colocou suas Soberanas Leis; e Jesus, o modelo e o guia da humanidade, o verdadeiro avatar e a Luz do mundo.

Afirma João da Cruz, o místico sacerdote, frade carmelita espanhol, numa linda reflexão a respeito de aprender a amar: “Quanto uma alma mais ama, tanto mais é perfeita naquilo que ama”. É uma questão de se permitir e exercitar a amorosidade. Há também uma linda frase atribuída a Madre Tereza de Calcutá, que muito nos ensina: “Amo todas as religiões, mas sou apaixonada pela minha”. Simples assim.
Outra citação que merece consideração é a do Padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês Pierre Teilhard de Chardin: “Tudo o que sobe, converge”. Neste sentido, o pensamento religioso deveria trilhar sempre um caminho ascensional de convergência superior, afinal Deus é o Altíssimo, a meta, a causa primária de tudo e de todos. Não se pode amá-Lo desrespeitando o próximo, a natureza, enfim sua criação.

Conclamamos a confluência das ideias, trazendo a arte, enquanto linguagem, conhecimento e expressão, para concluir este artigo, num poema autoral que ganhou musicalidade pelo parceiro e músico Ricardo Ribeiro, intitulado “Quando o sol nascer”.
Quando o sol nascer, e o amanhecer puder raiar,
Venha aqui sorrindo contemplar,
A felicidade florescer,
De uma longa história que se faz.
Vamos ir além
E com a coragem permitir,
A diversidade que há na vida.
Toda, toda crença é singular
Em um universo tão plural.
Seja a mudança que quer ver no mundo
Faça brilhar sua luz
E se puder fazer, que faça
Uma canção de amor.
Venha aqui sorrindo contemplar,
A felicidade florescer,
De uma longa história que se faz.
Vamos ir além
E com a coragem permitir,
A diversidade que há na vida.
Toda, toda crença é singular
Em um universo tão plural.
Seja a mudança que quer ver no mundo
Faça brilhar sua luz
E se puder fazer, que faça
Uma canção de amor.
Marco Granjeiro Lima é educador, mestre em serviço social e presidente da Federação Espírita Paraibana