Algum vento soprará destas montanhas
Dias trará de longo pavoroso sofrer
Espalhando esverdeado ocluso sofrer
Do enregelado deixado à própria sorte
Que por cáfilas cáfilas de anos
Sibilou entre penedos Irmão da névoa
Viu as engrenagens do luar Solidão de picos
Praticou alongada fome Foi fiel à sede
Soube estar só alcançado na febre
Foi um dia aderindo às rochas fincas
Até que encurvado insensível se fez
Sob madrigal desejosa névoa vã
Descerá gelo na lavoura amesquinhada
Terra banida de sais Limpa de profetas
Sobre estranhas nossas searas Veios de fogo
Chuva rica de ursos Selvas arrancadas
Nenhuma imagem ou som articulados
Visões de um instante Coro sem voz
Apagará os desenhos fibrilas da terra
Outros fará clássicos nítidos terríveis
Formalismos severos volúveis da água
Rápidos croquis abstratos do fogo
Exposição solar Antros de sombra
(Até que um silêncio seja a soma de todos)
Alberto Lacet é artista plástico e escritor