Ele é idoso, curvado, uma câmera pendurada no pescoço. Com um galho fino, entra no regatozinho que corre entre as pedras e afasta ...

Ele é idoso, curvado, uma câmera pendurada no pescoço. Com um galho fino, entra no regatozinho que corre entre as pedras e afasta as folhas caídas que impedem o fluxo da corrente. Uma a uma. Sento no banco para observar a cena. Ele segue com muita calma. Horas depois, quando volto ao lugar, está sentado olhando a água escorrer entre as pedras.

Estou fortemente inclinado a acreditar em que o espírito liberto de Zé da Luz obteve licença divina para sobrevoar a poesia, os po...

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Estou fortemente inclinado a acreditar em que o espírito liberto de Zé da Luz obteve licença divina para sobrevoar a poesia, os poetas, os escritores e a embevecida plateia que, na noite de 7 de março, lotou o Auditório da Prefeitura, em Pilar, no Baixo Vale do Rio Paraíba. Ocorriam, ali, recitais, afiliação de um novo membro e eventos outros que então abriam a programação dos

Uma vez um colega me perguntou, depois de ler um texto meu denunciando bandidagem, por que eu escrevia com raiva. Fiquei pensando em...

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Uma vez um colega me perguntou, depois de ler um texto meu denunciando bandidagem, por que eu escrevia com raiva. Fiquei pensando em responder. A pergunta não era simples. Talvez porque quem lê imagine que a indignação é raiva mal disfarçada.
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Mas eu não escrevo com raiva. Não tenho raiva de ninguém. Às vezes tenho raiva de mim mesmo, isso é verdade. O que sinto profundamente é outra coisa. O que sinto é indignação, ela que nasce quando observo certos comportamentos humanos. Uma indignação que, às vezes, chega a doer. Dói porque vejo atitudes que ferem aquilo que deveria sustentar a vida em sociedade: a ética pública. Dói porque algumas criaturas humanas, de baixas atitudes, conseguem ocupar espaços de poder na política, na Justiça e no Executivo. Não é um incômodo passageiro. É uma dor cívica que já dura quase os meus sessenta e dois anos. Uma dor de cidadão que observa o que acontece à sua volta.

Procissão Voz que ecoa Dos gestos invisíveis Um povo em procissão Passos lentos cadência cativa do corpo da humanidade em marcha ...

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Procissão Voz que ecoa Dos gestos invisíveis Um povo em procissão Passos lentos cadência cativa do corpo da humanidade em marcha sobre a terra do lugar nenhum Somos um só organismo vivo

Em um mundo onde a aparência de conexão muitas vezes se sobrepõe à profundidade das relações, surge a figura intrigante de uma pes...

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Em um mundo onde a aparência de conexão muitas vezes se sobrepõe à profundidade das relações, surge a figura intrigante de uma pessoa que faz do elogio sua principal ferramenta de interação. Para ela, cada palavra de apreço parece ser um passo em direção à construção de laços. Contudo, essa prática levanta questionamentos profundos:

Meus amigos, minhas amigas, quando tomo de empréstimo algumas linhas deste nosso poderoso rotativo, tento trazer causos (nunca mentiras)...

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Meus amigos, minhas amigas, quando tomo de empréstimo algumas linhas deste nosso poderoso rotativo, tento trazer causos (nunca mentiras) ou algo que possa dar um beliscão no emocional de quem está lendo. Mas hoje não será nem uma coisa nem outra. Meu coração está mais para lançar minhas queixas do que para outras elucubrações do espírito. Sim, quero deixar aqui meus veementes agravos pelas injustiças que cometeram com Júlio César quando este era vivo e o esquecimento de que foi vítima depois de sua passagem neste planeta.

“ Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei ”. A frase é do renomado educador, pedagogo e cientista francês...

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Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. A frase é do renomado educador, pedagogo e cientista francês, discípulo de Pestalozzi, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804–1869), conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita.
▪️ Mas o que tem isso a ver com José Américo e a Fundação?

"Use a erudição como se fosse um relógio de bolso: não saque ela para mostrar as horas, mas diga que horas são se alguém lhe per...

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"Use a erudição como se fosse um relógio de bolso: não saque ela para mostrar as horas, mas diga que horas são se alguém lhe perguntar" Lord Chesterfield

O conceito de desencantamento do mundo foi formulado pelo jurista e economista alemão Maximilian Karl Emil Weber (1864–1920) em seu...

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O conceito de desencantamento do mundo foi formulado pelo jurista e economista alemão Maximilian Karl Emil Weber (1864–1920) em seu livro A Ciência como Vocação, publicado em 1919. Refere-se ao processo histórico pelo qual as sociedades ocidentais passam a organizar sua vida social com base em princípios de racionalidade
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Max Weber, um dos precursores da sociologia econômica, autor de estudos acerca da origem da civilização ocidental e seu lugar na história universal ▪️ Foto: @picture-alliance (DP)
formal, substituindo progressivamente as explicações religiosas por formas científicas e burocráticas de interpretação da realidade. Nesse processo, o universo deixa de ser compreendido como um cosmos dotado de significados sagrados e passa a ser interpretado como um sistema governado por leis objetivas, passível de cálculo e controle. O mundo torna-se, portanto, administrável, previsível e tecnicamente manipulável. Entretanto, Weber observa que essa racionalização traz consigo uma consequência existencial: a crise e a perda de sentido que caracterizam a experiência moderna. Assim, a modernidade produz o que ele chama de “politeísmo dos valores”, no qual ciência, política, arte e economia passam a operar por meio de lógicas próprias, frequentemente em conflito entre si.

O escritor é um caçador de palavras. Suponho que a busca da perfeição da escrita seja a meta do escritor. Se a escrita perpetua o pens...

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O escritor é um caçador de palavras. Suponho que a busca da perfeição da escrita seja a meta do escritor. Se a escrita perpetua o pensamento, registra os momentos observados, nisso consiste a sua importância: buscar palavras que deem perfeição ao texto. Ao escritor cabe construir caminhos para o leitor passar e entender o que está sendo descrito. Sem embaraço.

Num dos seus poemas, Manuel Bandeira fala dos suicidas que se matam sem explicação. Esses são os que mais impressionam. Esconder o moti...

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Num dos seus poemas, Manuel Bandeira fala dos suicidas que se matam sem explicação. Esses são os que mais impressionam. Esconder o motivo pelo qual se chega ao “gesto extremo” aumenta-lhe o enigma e a dramaticidade. Talvez seja a atitude mais coerente, pois não há por que justificar um ato que se explica por si mesmo. Além disso, como acreditar nas razões dos suicidas? Até que ponto eles são capazes de avaliar com lucidez o seu ato?

Em 20 de dezembro de 1943 , o bombardeiro americano B-17 "Ye Olde Pub", pilotado por Charlie Brown, de apenas 21 anos, retorn...

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Em 20 de dezembro de 1943, o bombardeiro americano B-17 "Ye Olde Pub", pilotado por Charlie Brown, de apenas 21 anos, retornava de uma missão sobre a cidade de Bremen, na Alemanha, severamente danificado . A aeronave tinha dois motores destruídos, sistemas avariados, vários tripulantes feridos e um artilheiro morto, voando como um "straggler" (retardatário). Isolado de sua formação, o bombardeiro era um alvo fácil.

O poeta debruçado sobre o vasto campo branco da página branca. Seu olhar melancólico, sua mão calejada, seu coração cheio de ternura, ...

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O poeta debruçado sobre o vasto campo branco da página branca. Seu olhar melancólico, sua mão calejada, seu coração cheio de ternura, seu ser inteiro – se debruça, diante do mistério criativo. Desenha, como quem colhe; escreve, como quem sonha – e vê a cortina de nuvens da página abrir-se aos raios luminosos da tinta a escrever no papel. Não são palavras, são peixes no mar; não são verbos e adjetivos, são formas, ideias, sentimentos – abrindo veredas no vento. Floresce o sol na manhã. No jardim amanhecem as plantas. O instante criativo se revela, inefável instante de nascimento, onde o inaudito se mostra. Luz, muita luz, o delírio da luminosidade na folha branca.

Essencialmente, ele é poeta, assim como o são todos os artistas. Mas não exclusivamente, como prova seu mais novo livro, O peso da bor...

Essencialmente, ele é poeta, assim como o são todos os artistas. Mas não exclusivamente, como prova seu mais novo livro, O peso da borboleta (Editora papel da palavra, Campina Grande), sem falar no que ele publica regularmente no jornal A União e no blog Ambiente de Leitura Carlos Romero.
E por que não? Muitos poetas fazem isso. A poesia é rara e a prosa está sempre ali, à mão, disponível para expressar se não profundos sentimentos ou altas abstrações, pelo menos a opinião cotidiana do escriba sobre acontecimentos e questões mais ou menos objetivas da contemporaneidade, sem que isso, claro, signifique qualquer irrelevância. A maioria dos poetas brasileiros modernos também escreveu prosa da melhor qualidade, geralmente foram cronistas excelentes, a exemplo de Bandeira, Drummond e Affonso Romano de Sant’Anna, de modo que o nosso Leo está em ótima companhia. Aqui na aldeia, Hildeberto e Castro Pinto fazem-no com frequência, o que é ótimo para todo mundo, autores e leitores.

Quando vivi na Espanha, fazendo doutorado, eu frequentava os "comedores universitários". Devo dizer, em justiça à verdade,...

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Quando vivi na Espanha, fazendo doutorado, eu frequentava os "comedores universitários". Devo dizer, em justiça à verdade, que esses restaurantes para estudantes, professores e funcionários eram, de modo geral, maravilhosos. Não era aquela comida burocrática de bandejão que a gente encontra em muitas universidades. Nada disso. A comida era realmente muito boa.

Sofro de memória curta para certas lembranças, inclusive para livros inteiros, muitos deles desbravados na hora, ardentemente e, mai...

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Sofro de memória curta para certas lembranças, inclusive para livros inteiros, muitos deles desbravados na hora, ardentemente e, mais à frente, esquecidos, ainda que me deixem algum rescaldo de tênue consistência.

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