Lete, cujo nome significa esquecimento, constitui elemento da mitologia grega e uma reflexão filosófico-religiosa da Antiguidade. Filha de Éris, deusa da Discórdia, Lete encarna não apenas a perda da memória, mas uma dimensão ontológica do ser humano: o esquecimento como condição da existência mortal e como limite entre vida, morte e renascimento.
Com todo respeito, passei o carnaval com ela. Mais propriamente com o novo livro da escritora santista-pessoense, Recapitulação (Editora 34, São Paulo, 2025), conjunto de 12 contos muito criativos, que têm como ponto de partida ou como referência poemas, contos, novelas e romances famosos, de autores igualmente célebres.
Direto do Estádio do Cupinzeiro, no coração da grande clareira esportiva da floresta, a Rádio Zumbido transmitia aquela que já entrava para a história como a partida mais dramática do Campeonato Interespécies: Insetos contra Aracnídeos.
A inveja não tem fronteiras. Infiltra-se nos bastidores, cochicha nas sombras e alimenta-se da pequenez. Pessoas falam pelas costas e, de forma deletéria, formulam conceitos e preconceitos sem a mínima coragem de sustentar o que dizem frente a frente.
“Salve, tu, Nilo! Que te manifestas nesta terra
E vens dar vida ao Egito!
Misteriosa é a tua saída das trevas
Neste dia em que é celebrada!
Tu crias o trigo, fazes nascer o grão,
Garantindo a prosperidade aos templos.”
A biblioteca de Antônio Mangabeira era portuguesa. Mangabeira era um poeta que mais lia do que versejava. Quem o visse pela primeira vez não o tomaria como tal, isto é, como pessoa ligada a versos e leituras. O arquétipo era o do burocrata altamente responsável, meticuloso em tudo, impondo um respeito que se revelava desde as coisas que fazia ao terno de cor e uso invariáveis. Mas era falando ou, mais propriamente, recitando, que a força do beletrista se impunha. Parecia que a voz, forte e vibrátil, fora a escolhida por Castro Alves para o tom patético de sua tragédia negreira:
Há aproximadamente 7 milhões de anos viveu a espécie Sahelanthropus tchadensis, cujo traço principal foi o início do bipedismo. Em uma curva lenta de desenvolvimento, entre 4 milhões de anos surgiu a espécie Australopithecus afarensis, cujo bipedismo era mais desenvolvido e ainda conservava traços marcadamente primatas. Entre 2 milhões de anos surgiria a espécie do gênero
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Homo, sendo o Homo habilis o primeiro a fabricar ferramentas com pedra lascada. O Homo erectus, há cerca de 1 milhão de anos, domina o fogo e seria o primeiro a migrar entre as estepes africanas para o território da Ásia e da Europa, espalhando-se. Dessa migração, há aproximadamente 400 mil anos, surgiria o Homo neanderthalensis, cujo corpo é mais robusto; começa a fabricar roupas, além de enterrar os mortos, criando grupos ou clãs, normalmente de trinta membros, tendo um princípio de organização social. E, por fim, nos últimos 300 mil anos, aproximadamente, surgiu o Homo sapiens, com linguagem, pensamento e simbolismo artístico mais robustos.
O relato está registrado em obras de dois respeitados escritores. Pereira da Costa o incluiu em um dos volumes dos seus Anais Pernambucanos e Luís da Câmara Cascudo no livro Lendas Brasileiras. Como sempre ocorre no caso de narrativas lendárias, a origem da história é incerta e desconhecida. Ambientada na primeira metade do século 17, no período das invasões holandesas nas antigas Capitanias de Pernambuco e da Paraíba, a desventura amorosa do casal paraibano passou a ser contada,
Logo cedo, na cozinha da casa-grande, Naucete acompanhava Dandara no preparo do almoço. Desde a violência sofrida no galpão da fazenda, a governanta revelou ao marido seu desejo de que a menina morasse com eles. Taitale concordou de imediato, vendo também a oportunidade para que Naucete tivesse mais uma companhia durante as longas viagens que ele fazia trabalho. A partir de então, ela assumiu
Publicado em 1932, Parnaso de Além-Túmulo inaugura a trajetória literária de Chico Xavier e ocupa lugar singular na tradição espiritualista brasileira. A obra, atribuída mediunicamente a poetas falecidos, apresenta-se como uma coletânea de vozes que teriam atravessado o limiar da morte para continuar a cantar. Independentemente da posição do leitor diante da questão mediúnica, o livro se impõe como fenômeno literário e cultural que merece exame atento — tanto pelo seu impacto no imaginário brasileiro quanto pela ousadia de sua proposta estética.
No primeiro dos textos, abordando dois capítulos em Os Miseráveis, tratei da maneira como o autor induz o leitor ao erro, em nome da técnica da narrativa e apelando à catarsis (leia aqui). Neste segundo texto, a minha intenção é tratar de alguns aspectos da tradução do romance de Victor Hugo, para a língua portuguesa. Antes de passar, contudo, ao capítulo específico,
Tudo se resolve com simplicidade quando realmente existe desejo para tal.
Em junho/25, fiz o segundo retiro do silêncio. Este ano pretendo fazê-lo novamente. São três dias de reflexões e meditações, em total silêncio. Uma introspecção milagrosa. Nossas conversas são com nossas dores e refrigérios. Recebemos orientação dos dirigentes quando temos algum questionamento ou necessidade de esclarecimento.
No dia 12 de fevereiro celebramos o centenário de nascimento de um dos pilares da historiografia brasileira: Armando Souto Maior. Para gerações de estudantes, professores e pesquisadores, seu nome tornou-se praticamente um sinônimo da própria História. Seus manuais didáticos, que alcançaram dezenas de edições, equilibravam o rigor acadêmico com uma clareza rara, tornando-se verdadeiros clássicos do gênero. Contudo, foi em sua obra seminal, Quebra-quilos: lutas sociais no outono do Império, que ele consolidou sua prestigiada autoridade no meio acadêmico.
Pois é... Um incidente de pequena monta entortou o calendário festivo e, em razão disso, a Capital da Paraíba terá o mais tradicional dos seus carnavais no sábado e no domingo que já nos chegam. Isso, quando a parte mais católica do País estará envolvida nos assuntos da Igreja. Falo, neste caso, das orações e dos jejuns. Trato das penitências da ala mais fervorosa. As multidões, de resto, não são dadas a sacrifícios
Perguntou-me baixinho o que me matara:
⏤ A beleza, respondi.
⏤ A mim, a verdade ⏤ é a mesma coisa.
Somos irmãos.Emily Dickinson. Beleza e Verdade. Trad. Manuel Bandeira
Manuel Bandeira afirmou certa vez que a poesia só deveria ser traduzida por poetas ou por aqueles que fossem imbuídos de sentimentos poéticos. Bandeira traduziu, com mestria, poetas espanhóis, franceses e poetas de língua inglesa. Qual o leitor afeito às traduções de Bandeira não se recorda do poema Beleza e Verdade, de Emily Dickinson? O poeta/tradutor conseguiu transportar para