Solidão que não se escolhe é abandono – tenho essa verdade como indiscutível há muito tempo. ...

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Solidão que não se escolhe é abandono – tenho essa verdade como indiscutível há muito tempo. E a solidão que se escolhe? O melhor nome para ela encontro nos acréscimos que Paul Tillich faz a filósofos como Sêneca, Montaigne e Thoreau: é a solitude. O teólogo e filósofo teuto-americano estabeleceu a diferença de forma sintética e precisa:

Passei boa parte da vida correndo atrás de pássaros que pousassem na minha janela, e trens bufando na plataforma, em nome do encontro ...

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Passei boa parte da vida correndo atrás de pássaros que pousassem na minha janela, e trens bufando na plataforma, em nome do encontro com a felicidade. Até que, um dia, parei na esquina da minha rua, para conversar com seu Almeida, o jornaleiro. Ele não é daqueles que só empurram jornal com café requentado, com um pão de queijo de ontem. Ele lê cada notícia, comenta o tempo, pergunta do cachorro da gente, e guarda um doce para as crianças da vizinhança.

Dica de leitura, por Cibele Laurentino Existem livros que se organizam como estruturas lineares, obedientes a uma lógica narrativa...

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Dica de leitura, por Cibele Laurentino
Existem livros que se organizam como estruturas lineares, obedientes a uma lógica narrativa previsível. E há aqueles que se expandem como uma conversa viva, interrompida, retomada, atravessada por risos, memórias e exageros. A Rabeca de Paganini, de Luiz Augusto Paiva, pertence, com segurança, a esta segunda categoria.

No próximo 22 de agosto deste 2026 estará fazendo 50 anos da morte de Juscelino Kubitscheck, em acidente automobilístico ainda hoje c...

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No próximo 22 de agosto deste 2026 estará fazendo 50 anos da morte de Juscelino Kubitscheck, em acidente automobilístico ainda hoje controverso. Alguns acreditam que tenha sido um planejado assassinato, assim como teriam sido, na mesma época, as mortes de Carlos Lacerda e de João Goulart, eliminando-se de uma só vez as três maiores lideranças políticas opositoras do poder então em vigor. Não importa. Hipóteses ou certezas, o fato incontornável e imodificável é o desaparecimento daqueles homens que, para muitos, representaram esperanças – e, não raro, frustrações, marcando indelevelmente a segunda metade do século XX no Brasil.

Uma coisa tenho prestado atenção ao longo da minha formação: a sinceridade não é uma coisa muito aceita. A sinceridade parte de você ...

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Uma coisa tenho prestado atenção ao longo da minha formação: a sinceridade não é uma coisa muito aceita. A sinceridade parte de você querer se expressar, dizer o que sente e o que pensa. No entanto, falar o que se sente raramente encontra acolhimento. Verdades não existem além do fato fático.

Com o passar do tempo, a gente vai se recolhendo, sumindo dos lugares onde foram sedimentadas as melhores afeições, sem distinção das...

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Com o passar do tempo, a gente vai se recolhendo, sumindo dos lugares onde foram sedimentadas as melhores afeições, sem distinção das pessoas ou do lugar em si. Também a vida desses lugares dependia da nossa. Onde está o Cabo Branco dos meus antigos intervalos de redação, a dois passos do antigo jornal da Duque de Caxias? Dos meus dedos de prosa com
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Antigo Clube Cabo Branco ▪️ Instagram: @paraiba.jampa
Dr. Celso Mariz, com Rubin Falcão, com Mário Santa Cruz, com Luciano Wanderley, com Rivadávia Pereira? O meu Cabo Branco, que era a sede central, sustentava-se desse espírito de convivência?

Muitos dos nossos maiores escritores dedicaram-se a retratar a cidade de João Pessoa em prosa e verso, compondo, ao longo do tempo, um...

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Muitos dos nossos maiores escritores dedicaram-se a retratar a cidade de João Pessoa em prosa e verso, compondo, ao longo do tempo, uma verdadeira cartografia afetiva de suas ruas, paisagens e memórias. Entre eles estão Walfredo Rodriguez, com Roteiro sentimental de uma cidade; Gonzaga Rodrigues,

Aprendi a não deixar brotar em minha mente e coração expectativas em ser e em ter.

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Aprendi a não deixar brotar em minha mente e coração expectativas em ser e em ter.

Entre as obras mais curiosas e simbolicamente densas do escritor paraibano José Américo de Almeida, Reflexões de uma cabra ocupa um l...

Entre as obras mais curiosas e simbolicamente densas do escritor paraibano José Américo de Almeida, Reflexões de uma cabra ocupa um lugar singular dentro da literatura regionalista nordestina. Conhecido sobretudo pelo romance A Bagaceira — marco do regionalismo brasileiro e precursor de muitos temas que seriam aprofundados por autores como Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz —, José Américo revela, neste pequeno e engenhoso texto alegórico, uma faceta menos discutida de sua produção: a inclinação para a sátira filosófica e para a observação moral da condição humana através do artifício da fábula.

Espaçosos, invasivos, touchers, gozadores das fortunas alheias... tem para todos os gostos. Ultimamente, comecei a catalogar quant...

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Espaçosos, invasivos, touchers, gozadores das fortunas alheias... tem para todos os gostos. Ultimamente, comecei a catalogar quantas espécies de chatos existem. Uns mais e outros menos chatos, mas todos eles irritantes. Como eu gosto muito de conversar, vou logo adiantando que prefiro mil vezes um mentiroso a um chato, mesmo porque os mentirosos são divertidos e nunca falta assunto... eles inventam.

Voltei à leitura de Menino de engenho (1932), romance de José Lins do Rego, motivado pela projeção do filme homônimo, dirigido por W...

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Voltei à leitura de Menino de engenho (1932), romance de José Lins do Rego, motivado pela projeção do filme homônimo, dirigido por Walter Lima Júnior (1965). Por ocasião da morte de Sávio Rolim, que, no filme, interpretou o menino Carlinhos, Mirabeau Dias, atendendo a uma sugestão de João Medeiros, projetou, no último sábado (20/03/2026) a película, cuja

Nada como deixar a criança — ou mesmo o adolescente — sair e tomar os comandos por alguns instantes. E um bom cenário para isso é um p...

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Nada como deixar a criança — ou mesmo o adolescente — sair e tomar os comandos por alguns instantes. E um bom cenário para isso é um parque de diversão. Ah! Que sensação gostosa embarcar em um dos brinquedos e encarar solavancos, balanços, “sustos” e escorregos gigantes! Foi justamente isso que eu e Rachel fizemos, como
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um bom casal de enamorados adolescentes. Nós nos colocamos para a diversão, feitos crianças, nos brinquedos do Universal Parque, armado no costumeiro endereço às margens da BR-230, vizinho ao Unipê. A criança que reside em mim eu faço questão de que viva dando umas voltinhas, vez por outra.

A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na ...

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A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa “lugar onde primeiro se avista o sol”.

Revi, na fase adulta , a pequena casa em cujo alpendre pus os pés, pela primeira vez, dos 12 para os 13 anos de idade. Agora, os móveis...

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Revi, na fase adulta, a pequena casa em cujo alpendre pus os pés, pela primeira vez, dos 12 para os 13 anos de idade. Agora, os móveis eram outros. Assim, também, as pessoas e os retratos. Quase no início da adolescência, saído de Juripiranga, ali estive em busca de água. Deu-me um trabalhão convencer minha avó de que eu conseguiria cobrir a pé, sem me cansar nem me perder, os doze quilômetros

A obra O Sentido da Arte (1931), escrita pelo poeta e crítico de arte e de literatura britânico Herbert Edward Read (1893-1968), ve...

Herbert Edward Read arte estetica filosofia necessidade humana
A obra O Sentido da Arte (1931), escrita pelo poeta e crítico de arte e de literatura britânico Herbert Edward Read (1893-1968), versa acerca da natureza, da função e do valor da arte na vida humana. Inserido no contexto das transformações estéticas e sociais do período entre guerras, Read propõe uma compreensão da arte como expressão
Herbert Edward Read arte estetica filosofia necessidade humana
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fundamental da experiência humana e como elemento estruturante da sensibilidade e da cultura, transcendendo épocas e indivíduos. Para ele, a arte é uma necessidade biológica e psicológica de ordenar a experiência do mundo.

Todos os dias, a cena se repete. Ao chegar em casa, sou muito bem recebido por ela. Ao ouvir a minha voz, ela se aproxima, a cauda da...

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Todos os dias, a cena se repete. Ao chegar em casa, sou muito bem recebido por ela. Ao ouvir a minha voz, ela se aproxima, a cauda dardejando no ar. Ao chegar aos meus pés, a cauda assume uma clave de sol, envolvendo a minha perna.

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